Se você já pesquisou algum investimento de renda fixa no Brasil, provavelmente se deparou com frases como "rende 110% do CDI" ou "taxa pós-fixada atrelada ao CDI". O CDI aparece em CDBs, LCIs, LCAs, fundos de renda fixa e até na poupança indiretamente. Mas o que é exatamente esse índice — e por que ele domina o mercado brasileiro de investimentos?

O que é o CDI

CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. Na prática, é um título de curtíssimo prazo que os bancos emitem entre si para equilibrar o caixa diário. Imagine que um banco termina o dia com mais dinheiro do que precisa reservar e outro termina com menos. O banco com excesso empresta ao banco com falta — e esse empréstimo é formalizado via CDI, com prazo de um dia útil.

Esses empréstimos acontecem todos os dias, em volume gigantesco. A taxa média cobrada nessas operações é calculada pela B3 (a bolsa brasileira) e divulgada diariamente — essa é a taxa CDI, também chamada de DI.

Qual é a relação entre CDI e Selic?

A taxa CDI anda praticamente junto com a taxa Selic, a taxa básica de juros definida pelo Banco Central. Isso não é coincidência: os bancos usam a Selic como referência quando negociam entre si. Na prática, o CDI costuma ser cerca de 0,1 ponto percentual abaixo da Selic.

Exemplo prático

Com a Selic em 14,75% ao ano, o CDI fica em torno de 14,65% ao ano. Um CDB que rende "110% do CDI" pagaria aproximadamente 16,1% ao ano bruto — antes do imposto de renda.

Por que a renda fixa usa CDI como referência?

O CDI virou o benchmark da renda fixa brasileira por um motivo simples: ele representa o custo de captação de curto prazo dos bancos. Quando um banco oferece um CDB a 105% do CDI, significa que ele está disposto a pagar 5% a mais do que pagaria para captar de outro banco. É uma forma padronizada de comparar diferentes ofertas no mercado.

Para o investidor, o percentual do CDI funciona como um placar: quanto mais acima de 100% do CDI, melhor o rendimento relativo. Bancos grandes como Itaú e Bradesco normalmente oferecem 100% do CDI ou menos. Bancos menores e fintechs precisam oferecer mais — 110%, 115% ou até 120% — para atrair clientes que de outra forma ficariam nos grandes.

CDI e o imposto de renda

Investimentos atrelados ao CDI como o CDB são tributados pelo imposto de renda através da tabela regressiva: quanto mais tempo o dinheiro fica investido, menor a alíquota. O IR vai de 22,5% (até 6 meses) a 15% (acima de 24 meses). LCIs e LCAs, que também são atreladas ao CDI, são isentas de IR para pessoa física — por isso muitas vezes rendem mais mesmo com percentual de CDI menor.

Regra de ouro para comparar

Para comparar um CDB com uma LCI no mesmo prazo, use sempre o rendimento líquido — após o IR do CDB. Um CDB a 110% do CDI e uma LCI a 92% do CDI por 12 meses rendem quase a mesma coisa depois do IR de 20%.

O CDI e a inflação

Um erro comum é achar que "render 100% do CDI" significa ganhar dinheiro de verdade. Com o IPCA atual em torno de 5,5% ao ano, um CDB que rende 100% do CDI (≈14,65%) vai ter um rendimento real — acima da inflação — de aproximadamente 8,7% ao ano. Isso ainda é um juro real muito elevado pelos padrões históricos e internacionais.

Porém, se a Selic cair ao longo do tempo (o que historicamente acontece em ciclos), o CDI cai junto — e seu CDB pós-fixado renderá menos. É por isso que parte do portfólio em títulos prefixados ou IPCA+ pode fazer sentido para travar um rendimento real garantido.

O que monitorar no CDI

A taxa CDI muda toda vez que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) altera a Selic — algo que acontece a cada 45 dias. Ficar de olho nas reuniões do Copom e nas expectativas do mercado para os juros ajuda a antecipar se o retorno dos seus investimentos pós-fixados vai subir ou cair.

Simule um CDB com a taxa CDI atual

Veja o rendimento bruto, líquido de IR e real (acima da inflação) para qualquer prazo e percentual do CDI.

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